Assim acabei perdido, porém não saí magoado pois o que vivi não foi em vão, com o tempo entendi uma perspectiva bem diferente da minha, onde em me encaixava num mundo variado e intocável, onde os anjos mais pecadores voavam em direcção á fénix desconhecida, sonhos rebatedores que usei como base para esta ponte, restos de esperança depositei ao largo de calhaus, enquanto davas-me água junto de um rio esquecido, navegando nele memórias que feriam as escamas, cansadas de nadar para um destino incerto, mesmo assim acreditava que este seria o meu caminho, a minha espada.
Teu nome é de uma flor, já o meu de um simples sonhador, ao sabor de um gelado que derretia junto com a minha inocência, assim aos poucos a vida revelou ser bem mais dura, injusta para quem luta por um futuro melhor, iludindo o homem com tijolos e cimento, com ela estão as tuas sábias e preocupadas palavras, de consagrada Deusa aos meus olhos, lutadora contra um rumo amaldiçoado de armadilhas e escolhas, mesmo assim não perdes o teu brilho e as tuas asas, que apesar de tudo são negras de tanto lamentar os azares e os males que a vida te trás.
Se não for por amor, deixa admirar-te enquanto mulher, pela cruz que carregadas, pela foice que ergues aos impunes e injustos que no teu trilho se metem, um dia disseste-me que as palavras doem e nos teus olhos via assim, uma doce rapariga que sóbria, que temia o mundo da forma como ele é, afinal tens um coração, porém o teu corpo mostra marcas e desgraças de uma vida cruel, que deixa cicatrizes tanto na tua alma, como no teu rosto sereno.
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