Olho ao meu redor e recordo o dia, sussurro
ao tempo os motivos que me fazem rir neste final de tarde e ao largo de uma via
sem saída vou pensando no que há-de vir, no que ficou num sonho incompleto,
assim se passa uma viagem em rumo ao teu encontro.
Nestes dias, encontrei um novo abrigo entre
as tuas ideias e tudo se tornou claro novamente que nem o céu estrelado, a
inocência se torna intensa a cada momento que passa e num verdadeiro mar de
sensações envolvo-me, deixando correr rios de saudade do que fica gravado no
meu ser.
Leve toque num cinzento de uma vida, que
escurece no horizonte e assim fico eu sem direcção, sento-me numa escadaria
esperando pela tua presença dócil, talvez longe do meu olhar mas a Deus peço
que não estejas à distância ideal de me esqueceres e deixares em qualquer
lugar, ficando esquecido o pouco que tenho para te dar nas minhas pálidas e
geladas mãos, cheias de sonhos e traços que desenham a vida como uma adivinha.
Vou assim escrevendo pensando em ti, na baía
onde os parapeitos são uma miragem que me selam aos poucos e privilegiam-me de
um mundo real, contudo ando, talvez em vão ao encontro dessa pessoa que
acredito e vejo a cada dia com certeza, a mesma que não demonstras ao mundo nem
aos demais que te julgam conhecer plenamente, só eu sei o que se esconde dentro
desse corpo feito pelos dias e experiências vividas, que eu queria que me
desses a conhecer.
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