Sinto vergonha do maior dos teus desejos como
se deles fosse a culpa da minha deriva, cega mania de procurar o melhor sem
arriscar e no pecado me deixar levar sem saber o que pensar ao certo, do que
roda ao ritmo de um mundo sem fundo.
Um sonho enublado, um tecto rasgado chovendo
os insultos de um local chamado céu, sem luz na escuridão vou percorrendo a
podridão que o mundo deixa nas traições e na falta de perdões que subitamente
escorregam nos corrimões e em lenços de recordações ficam as vestes de um dia,
queimadas e feridas onde as teias foram uma parte que viveu junto da carne viva
para quem a conhecia, para quem a queria e desejava neste frio defunto.
Procurando um lar, no peito de alguém,
aventuras desmedidas e quedas corroídas pela mentira de uma tara perdida com a
mais subtil bebida que escorre entre latas e copos feitos de alumínio ou de
risos que se dizem nos suspiros de o fim do dia.
Flechas e conversas lamechas saem de lábios
sedentos de um beijo que ficou perdido num rosto, num quarto frio e sem abrigo
onde o amor e o calor o abandonaram para um céu de estrelas e cometas onde as
vedetas correm nuas num chão que não é de ninguém.
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