Vive sem cessar, sem parar ou meios-termos e memórias de velhas revoltas, aquelas que tivemos enquanto amigos e amantes de mundos distantes, mas unidos por um grande amor.
Aproveita a tua saída, sem ressentimentos ou pressas, pois daí vêem os pequenos prazeres do dia e pela calada deixa memórias, recorda calúnias dos tempos em que me apontavas dedos e defeitos e me férias á vista desarmada, sem saberes, talvez sem quereres, assim eu caia de uma forma desamparada, contudo, nos braços de um amigo ou apenas de um conhecido me afogava, em lágrimas e palavras, tudo devido às tuas frias palavras, á tua companhia.
Na praia sorria, mas sempre que a noite caia, a maré subia na baía e encharcava-me as costas como uma palmada de frio, recheada de saudades e alarmes, de que estava a perder o amor da minha vida.
Levei tempos e descansos eternos, em total desacordo com os baloiços, sobre o que queria para a minha vida, enquanto fugias da minha árdua caminhada pela calçada, de uma ria vazia, nesse tempo o mundo chamava-te de impostor, mas não estava ouvindo mais essas palavras invejosas, pois estava dominado pelo ardor que este sentimento causava em mim.
Ao sabor de um chá ficaram por contar gargalhadas, as mais taradas vontades que não passaram de palavras, de mais um desejo sem paradas, mas o tempo aos poucos se tornou nosso inimigo, com isso até o som das portas já assumiam o papel de ouvidos, nas paredes que nos queriam mal, ao custo disso resultou a miséria e o fracasso que isto causou em mim, em ti e na pequena inocência que restava nas nossas memórias, castigadas pelo magnetismo da podridão, pela luz escura de um adeus, sem hesitações acabei com este sofrimento que causava num futuro alternativo a dormência incerta, mais discussões e perdões, guardados agora em caixas e cartões de amor, que nunca mais te entregarei.
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