É mais uma corrente fria neste longo luar, cada peça escapa na lama e nela fica tudo o que queria dar, um ano acaba e mais uma vez não teci sorrisos nesse teu rosto de criança, cada vez que me vês, por mais que me fales dias e maravilhas a teu ver, a teu mercer...
Faltam dias e este sonho fica adiado por fantasmas e fontes malignas, por maus pensamentos e mil vezes pensarei que me levaram num suspiro, para um mar que culpas e ressentimentos, resultados falhados de algo que atravessa esta mata de lobos e sonhos, numa noite sem a luz das estrelas que brilham eternamente um vácuo espacial.
Ando lentamente neste quadro feito por chances e recortes, doze vezes pintado ao mais calmo e solitário amor de um pintor, sem dedos e cabelos borratando as mais transparentes evidências de um pavor, contudo manchado de lágrimas e mágoas vividas durante noites, criadas por montes de chaves que rodeiam um futuro que se cria, a cada ritmo tocado por uma harmónica, pelo vagabundo tempo recheado de enredos e momentos que dançam e balançam entre meus pés, á medida que o dia escurece e me leva para um infinito mundo de possibilidades, onde vou percebendo que se não arriscar, só terei a perder com isso...
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